Marcos d'Ajuda
15 outubro 2017
IMG_6484

LIBERDADE PARA A MENTE

Em total respeito a mim mesmo, há muitos anos libertei a minha mente da obscura prisão psicológica da cronologia da corrida de rua como esporte de resultados. Aprendi que, embora muito parecidas na forma, o ato de correr para competir e o de praticar de rua para divertir são completamente diferentes no conteúdo que entregam para as vidas de seus adeptos antes, durante e após os treinos. Parei de me preocupar em querer dar exatidão ao que na prática não era para ser exato. Compreendi que o corredor de rua que permite que o seu corpo de pessoa comum se mantenha algemado à cronologia de um treino, aprisionando um espírito que clama por intensa liberdade, saciando os desejos insanos de uma mente contaminada com a pretensa ideia de se tornar o atleta dos pensamentos, nunca conseguirá alcançar uma das maiores conquistas que a prática da corrida de rua saudável pode oferecer: a qualidade de vida. Praticando corrida de rua dentro dos limites do bom senso, me doutrinei a não estabalecer mais relação com os minutos e os segundos enquanto treinava. Me convenci de que alguns segundos a menos podiam representar dores a mais, enquanto um minuto a menos poderia significar não sentir o prazer de um treino por semanas e até mesmo meses. Embora os adeptos de paces e planilhas afirmem que corro devagar, o que faço, no meu humilde entender, é praticar corrida de rua sem nenhuma pressa. Afinal, quando estou na pista treinando, me deliciando com a brisa no rosto, curtindo o suor escorrendo pelo corpo e praticando os conceitos de minha filosofia de vida saudável, o que mais quero é que o tempo não passe. A lógica latente na prática da corrida de rua, conscientemente saudável, deve estar permanentemente relacionada às reais capacidades individuais de cada indivíduo. Se for necessário, pare de usar o cronômetro por um período e faça uma breve desconstrução de tudo o que sempre quiseram tentar te convencer como sendo a verdade sobre a corrida de rua. Compreenda que a verdade dos outros pode ser uma imensa mentira para as suas pretensões enquanto praticante do que pode vir a ser uma saudável filosofia de vida. Reprograme a sua mente, descontamine os seus pensamentos, desintoxique o seu organismo da química, aceitando a realidade de que somos tão somente pessoas comuns que, com muito esforço e dedicação, superando adversidades, conseguimos desenvolver as capacidades para praticar corrida de rua de forma recreativa, para diversão. Pense, repense, faça uma reflexão para entender qual a finalidade para insistir em desafiar constantemente as capacidades de seus músculos e ligamentos, com a iminente possibilidade de contrair uma grave lesão? Assuma imediatamente o controle de si mesmo. Vamos praticar corrida de rua, sim, cada vez mais, mas de maneira simples, consciente, responsável, sem pressa, com equilíbrio constante entre corpo e mente, se possível, sem ficarmos presos a nada e a ninguém. Vamos percorrer cada vez mais quilometros de intensa felicidade, para compartilharmos inspiradoras histórias de muita alegria, de absoluto prazer, e não mais desmotivadores relatos de cansaço, dor e sofrimento. Devemos dar um basta à prática do despreparo e do exagero exarcebado para impressionar aos outros, para que não tenhamos que continuar a conviver com trágicas notícias de mortes e de privação ocasionadas pelo excesso de vaidade de quem não aceita mais quem sempre foi e tenta, em vão, nem que seja em um post estático, ser quem, provavelmente, nunca será.


QUERO OUVIR VOCÊ!
FAÇA SEU COMENTÁRIO! PARTICIPE!