Marcos d'Ajuda
24 outubro 2017
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ESCOLHAS CERTAS PARA MIM MESMO

Corredor de rua há doze anos, foram nos últimos nove anos que, mais experiente, consegui equilibrar os desejos da mente com as reais capacidades do corpo. Os primeiros três anos como corredor de rua, período em que me imaginava um atleta – por favor, todos tem este direito – foram repletos de muitos erros e de poucos acertos. Sim, no início me entreguei ao desejo compulsivo de ser cada vez o melhor. Claro, participei de um pequeno grupo de corrida de rua. Com certeza, ingênuo, acreditando nas verdades dos outros, me entreguei aos excessivos treinos funcionais. Me recordo até hoje do pavor que eu tinha dos sacrificantes treinos de tiro. E os tais alongamentos? Cruzes! Quanto mais eu me aprofundava no conhecimento subjetivo da corrida de rua como esporte de resultados, influenciado pelo que escutava e lia, maior era o desejo compulsivo de baixar o famigerado tempo. Lutando arduamente para me superar, muitas foram as vezes que, após os treinos, sozinho, com gelo sobre a musculatura das pernas, sofrendo por imaginar que não poderia treinar no dia seguinte, refletia sobre minhas atitudes nos treinamentos. Qual eram os objetivos a serem alcançados? Medalhas? Rótulos? Likes em redes sociais? Não, estes simbolismos eram muito pouco para valer as dores, a fadiga e o cansaço que me afligiam. Me isolei. Treinando sozinho, sem me preocupar com técnicas, descontaminando a mente permanentemente, deixei no passado tudo o que quiseram me convencer como sendo uma verdade totalitária. Consegui compreender que sendo uma prática individual, assim deveriam ocorrer os meus treinamentos. Treinar com outros indivíduos me fez entender que alguém estava treinando incorretamente. Não queria mais disputas com os outros e, principalmente, nem comigo mesmo. No apagar do primeiro triênio, introspectivo, não desejava aprender mais nada em relação a como correr naquele presente, o que eu mais queria era entender o que não fazer para poder continuar praticando corrida de rua no futuro. Nos últimos nove anos parei de correr para, simplesmente, praticar corrida de rua. Adotei um estilo de vida em que não há mais espaço para excessos e muito menos sofrimento. A corrida de rua se transformou em uma atividade diária de muitas alegrias e de intenso prazer. Aquecimento, alongamento, fortalecimento, treinos funcionais, planilhas e técnicas não fazem parte da atmosfera saudável deste meu próprio universo. A corrida de rua que eu pratico nada mais tem a ver o culto ao corpo. Meu culto agora, e sempre, é à vida. Assim sendo, passei a exercitar a minha mente que, em harmonia permanente com o corpo, sem estresses, me possibita treinar diariamente sem precisar conviver com o fardo pesado do desnecessário. Ao deixar de me pressionar para impressionar aos outros, instituí a liberdade de meu corpo e, alegria, encontrei um caminho contínuo de quilômetros sem dor, cansaço, fadigas e preocupações antes, durante e após os meus treinos. Felizmente, o auto-conhecimento, fruto doce do isolamento, me permitiu aprender mais sobre mim mesmo e a evitar dramas físico-emocionais futuros. Atualmente, após uma dúzia de anos como praticante de corrida de rua, meu maior orgulho não são conquistas de medalhas ou minhas viagens nacionais e internacionais para conhecer lindos parques para se praticar corrida de rua, mas, sim, o fato de nunca ter tido qualquer dor ou lesão que me impedissem de treinar um dia que fosse. Sorte, muitos imaginarão. Entretanto prefiro acreditar que, como mero praticante de corrida de rua, baseado na minha verdade, tive competência para fazer as escolhas certas para mim mesmo.


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